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Crise da Lei

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      Um bebê quando nasce, vive a ilusão de que ele e sua mãe são únicos. No entanto, em um determinado momento surge a figura do pai, quebrando essa ilusão por meio de um corte simbólico, o que gera  frustração na vida desse bebê. Essa função do pai representa a presença da lei, do limite imposto pela vida por meio da família, religião, sociedade e cultura. 

      Esse imperativo categórico, limitador que a vida apresenta, fere o eu narcísico do bebê, porém é um processo necessário para uma vida saudável diante dos limites existenciais. Nesse sentido essa dor vivenciada amadurece, fortalece frente às perdas futuras.

      Quem não aprende a lidar com essas perdas fica em uma posição narcísica regredida à fase infantil. Essa fase, segundo o desenvolvimento moral de  Piaget, é a fase da anomia, sem regras, a pessoa vivencia um estado fixado às suas pulsões vitais, presa à satisfação física, movida pelo princípio de prazer.

     Nossa sociedade atual reforça essa posição subjetiva narcísica auto erótica, visando apenas saciar o prazer. Muitos adolescentes são gerados nessa cultura e não superam essa fase pela falta de limite, do corte, do chega, acabou e por isso não se sustentam na vida. Tornam-se irresponsáveis, porque só querem fazer apenas o que lhe proporciona prazer.

     Estamos diante de uma crise paternal, na qual pai e mãe não sustentam sua posição de autoridade e não conseguem fazer esse corte, mantendo seu filho numa posição infantil, imatura, intolerante a dor  e ao limite da vida.

   Quantos adolescentes tornam-se irresponsáveis diante dos seus estudos porque essa atividade exige esforço! E mesmo com a agenda cheia de compromissos, quando chegam da escola, olham o computador e o seu  livro e escolhem a 1º opção, o chat virtual, porque é mais prazeroso. Estudar, ler e escrever é chato, pois tudo aquilo que não dá prazer  é rejeitado.

      Essa geração imatura precisa sair dessa da zona de conforto, entendendo que a realidade existe e que não há vitória sem o bom combate.

    Porém, tem muitos filhos que os pais não deixam crescer. Filho abandonado sofre, pois dentro dele surge uma ferida na sua alma. Por sua vez, este mesmo filho, ganha resiliência. Já o filho superprotegido sofre muito mais, torna-se fraco, frágil à dor. São passarinhos engaiolados que sempre dependerão de alguém para lhes proteger. E quantos pais não permitem que seus filhos passem por situação de conflito? Estes mesmos pais optam por deixá-los na redoma da sua proteção, mantendo-os naquele berço infantil.

     A dor amadurece. Quando um filho vivencia um conflito, consegue suportar a dor e a  supera, ganha subjetividade, resistência, força e aprendizagem.

    Parece-me que em nossa contemporaneidade a dor não tem espaço. Os pais não suportam  ver seus filhos passando por um tipo de conflito: logo desejam poupá-lo e não permitem superarem por si mesmos. Exemplo é a escola, espaço de socialização, onde seu filho deixa de ser um, como é em casa, e passa a ser mais um com sua individualidade. Dentro da coletividade, sua vontade nem sempre será atendida, nem sempre sua ideia será aceita, seus professores não tratarão como os pais tratam, daí a lista de reclamação dos pais sobre a escola, chegando a transferirem seus filhos para outras instituições, porque não encontraram a escola que correspondesse à vontade do seu filho.

    Essa postura mantém o filho na posição infantil, de indefeso, frágil como a do bebê. Quando a vida cobrar atitude, terá medo, podendo desencadear uma síndrome de pânico.

    Nossos filhos precisam experimentar o limite da vida, pois mais tarde vivenciarão o limite do amor, o limite financeiro, o limite da velocidade, o limite da lei, o limite que a vida apresenta.

     A criança se vê a partir do olhar do pai e da mãe. Pais têm o poder de fazer a criança acreditar em quem ela é, e o que vai ser. O lugar em que os pais deixam a criança fará a diferença em sua vida. 

 

Continua...

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