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Educação Socioemocional

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   Nos dias 8 e 11 de maio, o Nuvem9Brasil participou do Bett Educar, o maior evento de educação e tecnologia da América Latina.

  Durante o congresso, o Nuvem9Brasil ofereceu a palestra “A educação socioemocional no mundo: sua implantação como solução curricular na Educação Básica”, ministrada pela Profa. Dra. em Liderança Organizacional com foco no Desenvolvimento Humano Pamela Bruening, dos Estados Unidos.

   Diretora Pedagógica do Cloud9World (Programa de Educação Socioemocional) e da Continental Inc. (editora de Educação) e autora de 18 livros do Cloud9Worl, Pamela Bruening tem 30 anos de experiência no ensino (fundamental, médio e superior) e é especialista em projetos de melhoria da escola, liderança educacional, intervenção, avaliação de programas e estratégias educativas e desenvolvimento de currículos. Além de palestrante e conferencista internacional de Educação, também presta consultoria para o desenvolvimento profissional de professores, administradores e conselhos escolares, bem como no desenvolvimento de produtos educativos.

   O Guia Escolas entrevistou a Profa. Dra. Pamela Bruening sobre os conceitos de educação socioemocional e os benefícios de sua implantação nas escolas. Abaixo, uma prévia do que foi exposto pela palestrante na Bett Educar.

Guia Escolas: Primeiramente, gostaríamos de entender o que é a educação socioemocional, onde surgiu e quais são seus pilares de sustentação.
Pamela Bruening: O conceito de aprendizagem socioemocional foi formalmente desenvolvido há cerca de 20 anos. Nos Estados Unidos, o CASEL foi criado em 1994 por um grupo de pesquisadores com o objetivo de investigar o impacto da aprendizagem socioemocional na educação. Naquela época, as escolas e todo o sistema educacional estavam promovendo a prevenção sobre uso drogas e a violência, a educação cívica e moral, bem como a educação sexual, prevenção da violência. A Educação Socioemocional foi desenvolvida e introduzida como uma estrutura para atender às necessidades dos jovens e apoiar o alinhamento de uma série de programas e iniciativas escolares. Ao longo do tempo, uma meta-análise de estudos, o apoio da ASCD – Association for Supervision and Curriculum Development e pesquisas em andamento resultaram em uma maior conscientização da necessidade de um esforço coordenado da Educação Socioemocional na rede escolar que resultou em um aumento do desempenho acadêmico dos alunos. Local de trabalho do século. Alguns Estados Americanos, bem como o Governo Federal, reconheceram o valor dos programas de Educação Socioemocional de alta qualidade e o impacto positivo nos alunos e nas escolas. Os pilares que apoiam a Educação Socioemocional incluem autoconhecimento, autogerenciamento, tomada responsável de decisões, habilidades de relacionamento e consciência social. Estes pilares de apoio incluem contextos na escola, em casa e na comunidade, o que essencialmente significa que este tema precisa ser abordado em todos os grupos de participantes que se relacionam com a escola. Uma linha do tempo sobre a história da Educação Socioemocional pode ser encontrada em https://casel.org/casels-20-year-timeline/ (site em inglês).

 

GE: O conceito de Educação Socioemocional sempre esteve intrínseco ao espaço da escola ou é algo novo nesse ambiente?
PB:
 Em anos passados, a Educação Socioemocional existiu no ambiente escolar em variadas formas. Às vezes, isso estava revestido dentro da própria cultura escolar, outras vezes na educação do caráter e, de certa forma, até como suporte para projetos de comportamento positivo. O ponto principal, independentemente da forma adotada, é que a autoconsciência e o autogerenciamento levam a uma maior sensibilidade aos outros e ao aumento de comportamentos pró-sociais. Nos últimos anos, a Educação Socioemocional ganhou força, especialmente a ideia de que suas habilidades precisavam ser ensinadas propositadamente e que os alunos precisavam de oportunidades para praticar essas habilidades.

 

GE: Qual a importância da Educação Socioemocional no desenvolvimento acadêmico?
PB: 
Pesquisas em todo os mundo apontam que o melhor aprendizado ocorre em ambientes seguros e saudáveis, ou seja, o aprendizado ocorre em um contexto social. De certo modo, é difícil separar aspectos sociais e emocionais de processos de aprendizagem acadêmica. Além disso, os componentes das habilidades socioemocionais, no caso dos Estados Unidos, estão totalmente ligados a requisitos da American Common Core (a base norteadora de educação daquele país, o que similarmente está acontecendo com a BNCC do Brasil): autorregularão trabalho em equipe, empatia, cooperação e uma série de valores que fortalecem o caráter humano e tão necessários para as demandas do século 21.

 

GE: É olhar comum que as habilidades socioemocionais devem ser trabalhadas dentro dos currículos escolares e não como um apêndice extracurricular. Por quê?
PB:
 Atividades extracurriculares são frequentemente tidas como algo opcional e desnecessário. A quantidade de pesquisas que apoiam a Educação Socioemocional e seu impacto no desempenho acadêmico e na cultura escolar tornou comum a integração do desenvolvimento das habilidades socioemocionais aos currículos escolares, dando à Educação Socioemocional seu merecido lugar de importância na educação. O CASEL divulgou pesquisas de desempenho de implementação delineando os passos iniciais que os distritos escolares (grupo de escolas por região nos Estados Unidos) deveriam tomar na implementação de uma abordagem sistêmica para a Educação Socioemocional em toda a escola e em salas de aula individuais. Eles são encorajados a alinhar as instruções de Educação Socioemocional dentro do currículo existente. Um bom exemplo de como isso pode ser feito é através do uso de padrões ELA (Education Learning Acquisition – um programa de educação americano) com conteúdo de Educação Socioemocional, onde os processos de leitura e compreensão de textos (ficção ou não-ficção) expliquem aspectos da Educação Socioemocional em um formato instrucional direto. As atividades são projetadas para mostrar ao aluno as habilidades socioemocionais e estão alinhadas aos padrões da ELA que podem ser ensinadas por todas as matérias. O currículo da Cloud9World segue esse padrão. A Educação Socioemocional também pode ser reforçada durante todo os dias do ano letivo por meio do apoio ao comportamento positivo em toda a escola, o que faz a Educação Socioemocional ser parte integrante da vida de todos os alunos.

 

GE: Quando e como a Educação Socioemocional (SEL – Social Emotional Learning) se tornou parte da Base Curricular Americana?
PB: 
É comumente reconhecido, com base em pesquisas, que a integração de forma regular da Educação Socioemocional aos currículos ajuda os alunos a atender aos padrões de educação exigidos pelo American Common Core. De fato, várias áreas do Common Core exigem que os alunos utilizem as habilidades socioemocionais, como por exemplo, o pensamento estratégico, e o respeito para o entendimento dos argumentos dos outros. Para atender à competência dentro do Common Core, além de ser considerado College e Career Ready, os alunos precisam desenvolver competências sociais e emocionais.

 

GE: Sobre o projeto Cloud9, quais são seus diferenciais?
PB:
 Muitos programas de Educação Socioemocional focam mais suas abordagens em comportamentos do que em virtudes humanas. No entanto, os comportamentos costumam ser os resultados dos valores mais profundos (ou falta deles). O Cloud9World é diferente de muitos outros programas porque toca no âmago de uma pessoa, onde os valores são capazes de impulsionar mudanças de comportamento e tomadas de decisões. O Cloud9World fornece às escolas uma linguagem simples e comum, focada em compreender e desenvolver valores essenciais que promovem comportamentos positivos e relacionamentos saudáveis. O programa Cloud9World foi criado para integrar Educação Socioemocional a todas as áreas do currículo, em todas as séries da educação básica, o que torna essa integração muito mais fácil para os professores. As forças de caráter, assim chamadas, são ensinadas e reforçadas através da leitura, escrita, fala e colaboração com os colegas durante as rotinas escolares, de forma a contribuir com o clima escolar.

 

GE: Como funciona, na prática, um projeto com tamanha profundidade?
PB:
 O Cloud9World permite que os alunos aprendam a partir de uma variedade de virtudes, valores ou pontos fortes de personagens por meio de histórias, vídeos e instruções diretas. Planos de Atividades flexíveis e um completo suporte permitem que os professores forneçam aos alunos instruções diretas, práticas e troca de experiências. As avaliações garantem a compreensão e o crescimento do aluno. À medida que escolas implementam de forma de forma integral o programa Cloud9World, a cultura escolar se torna mais positivas, os pais se envolvem com as atividades dirigidas a eles em casa. Desta forma, crianças e adultos garantem uma maior compreensão sobre dos valores, de forma prática, em todas as áreas da vida.

 

GE: A dinâmica das transformações sociais tem, a cada dia, aumentado sua velocidade. Assim, quando falamos das virtudes clássicas, podemos ter novas (ou reformuladas) virtudes?
PB:
 Acredito que à medida que nossa sociedade muda, especialmente com a influência da tecnologia, algumas virtudes ou pontos fortes de caráter humano serão mais influenciados do que outros. Muito disso é baseado nas necessidades apontadas pelo mercado de trabalho. É desta maneira que o Cloud9World desenvolveu uma série totalmente voltada para as demandas do Século 21. Por esse motivo, acredito que novos valores sempre surgirão e algumas forças de caráter podem ser mais valorizadas do que outras em diferentes momentos, com base nas necessidades dos alunos. As virtudes clássicas provavelmente sempre serão valorizadas, já que muitas das mais recentes estão relacionadas, em parte, àquelas clássicas por natureza.

 

GE: Hoje temos a necessidade de trabalhar mais algumas virtudes do que outras? Como o Cloud9 trabalha essa questão?
PB:
 O Cloud9World enfatiza a importância de todas as virtudes. Reconhecemos, no entanto, que as escolas nos Estados Unidos e no mundo todo podem adotar pontos fortes específicos antes dos outros, com base nas necessidades de seus alunos. Orientamos as escolas, mas grande parte desta escolha é feita pela escola.

 

Fonte: Portal Guia Escola

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